Isto pode resultar na sua proliferação no vinho e no aparecimento de problemas de contaminações na adega. Os meses que se seguem à vindima são críticos para o crescimento de Brettanomyces. Durante este período, emergem da fase de dormência e crescem exponencialmente, causando a libertação de fenóis voláteis durante a fase estacionária, ou seja, 30 a 60 dias após o início do crescimento da população (K. Fugelsang, 2003).
Uma das complicações da Brettanomyces é o aparecimento de odores indesejáveis que provocam uma deterioração da qualidade dos vinhos.
A Brettanomyces representa uma das principais ameaças à qualidade do vinho e o seu desenvolvimento pode levar à formação de compostos indesejáveis, nomeadamente etil fenóis e ácido acético, que são responsáveis por odores animais desagradáveis, como suor de cavalo, estrebaria, couro e notas farmacêuticas, como ligadura ou medicamentos, podendo comprometer o perfil aromático do vinho. Esta levedura existe naturalmente em todo o lado e pode desenvolver-se mesmo em condições adeversas, tais como com níveis elevados de dióxido de enxofre, álcool elevado, deficiência nutricional, pH baixo, etc.
Tradicionalmente, a principal ferramenta para controlar a Brettanomyces tem sido o uso de dióxido de enxofre (SO2). No entanto, para ser eficaz, a concentração de SO2 molecular deve ser mantida num mínimo de 0,4 mg/L ou mais, dependendo da estirpe. Isto pode exigir doses elevadas de SO2 livre, especialmente em vinhos com pH elevado.
Para evitar a formação de odores indesejáveis, é necessário controlar o desenvolvimento de Brettanomyces nas diferentes épocas do ano, especialmente a partir do final da fermentação alcoólica.
Por isso, recomenda-se a eliminação do microrganismo antes da fase exponencial do seu crescimento populacional (antes dos 60 dias da fase de dormência).
O método mais rápido e eficaz para detetar e quantificar esta levedura é o PCR. Uma vez detetada a presença de Brettanomyces, é recomenda- se a utilização de EnartisStab MICRO M, uma formulação de quitosano pré-ativado.
O quitosano, derivado de Aspergillus niger, possui carga superficial positiva que interage com as membranas celulares dos microrganismos, levando à sua inativação. A Enartis desenvolveu um procedimento que reforça este processo pela ativação com ácidos orgânicos, amplificando a eficácia antimicrobiana do quitosano.
Este ensaio apresenta a aplicação de diferentes doses de EnartisStab MICRO M num vinho tinto. Sete dias após o tratamento com 10 g/hL, toda a população de Brettanomyces foi eliminada. Após 15 dias, mesmo a 1⁄2 da dose (5 g/hL) eliminou a presença de Brettanomyces.

Num ensaio realizado à escala da adega, 8 g/hL de EnartisStab MICRO M reduziram o teor de Brett em apenas 4 dias.

A mesma situação é evidente noutro ensaio em que, 7 dias após o tratamento, a população de Brett também não é detetável quando cultivada em placa.
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| Controlo | 7 dias após o tratamento (15g/hL EnartisStab MICRO M) |
O tempo de contacto necessário de EnartisStab MICRO M varia em função da concentração de Brettanomyces, da turbidez, da temperatura, das caraterísticas do vinho e do tempo necessário para a descontaminação.
O tratamento é geralmente eficaz após 7-10 dias de tempo de contacto. Para verificar a eficácia do tratamento, é aconselhável efetuar testes utilizando métodos tradicionais como a cultura em placa, uma vez que o PCR também quantifica células não viáveis.
Se a prevenção tiver falhado e mesmo que se tenha efetuado um tratamento curativo com quitosano ativado, os odores e sabores indesejáveis podem ser reduzidos utilizando um tratamento de colagem eficaz, que dependerá da concentração e do tipo de fenóis voláteis.
Para tal, recomendamos a utilização de FENOL FREE, um carvão corretivo e específico que remove os fenóis voláteis do vinho.
Abaixo, num vinho com uma concentração elevada de fenóis voláteis devido à contaminação por Brett, o tratamento com FENOL FREE em duas fases resultou numa redução final de 76% para o etilfenol (EF) e 82% para o etilguaiacol (EG).
